Desarmamento de Guardas Municipais de Natal deixa postos vulneráveis



Natal
Natal, 28 de Abril de 2010 | Atualizado às 07:52
Desarmamento de guardas deixa postos vulneráveis

Furto, roubo de equipamentos, ameaças, agressões morais. Desde que a Polícia Federal determinou o recolhimento das armas de fogo dos guardas municipais, o clima de insegurança nas unidades de saúde de Natal tem se agravado cada vez mais. Um exemplo disso, é o pronto atendimento de Cidade Satélite, na zona Sul da Capital. Na manhã de ontem, a unidade chegou a ser parada até que um reforço do policiamento chegasse ao local para garantir segurança ao médico, aos enfermeiros e aos funcionários.

Elisa ElsieAusência de guardas municipais na unidade da Cidade da Esperança deixa funcionários temerososAusência de guardas municipais na unidade da Cidade da Esperança deixa funcionários temerosos
O problema em Cidade Satélite não chega a ser uma novidade. Na semana passada, três homens arrombaram o portão de acesso ao laboratório durante a madrugada, porém, a ação foi interrompida porque um paciente chegou ao local precisando de atendimento, viu a movimentação estranha e chamou a Polícia Militar. O trio conseguiu fugir, mas deixou o medo na unidade. “Estamos completamente desprotegidos aqui. O local é todo aberto e sem nenhuma segurança do lado de fora, ficamos completamente expostos, sobretudo, à noite”, afirmou a funcionária Verônica Rodrigues.

Na manhã de ontem, o problema foi outro, mas também motivado pela falta de segurança. Exaltado, um paciente reclamava da demora no atendimento médico e precisou conversar e ser acalmado pela assistente social. “Se falta guarda, não tem condição de atender os pacientes, pois não há quem garanta a nossa segurança nesse trabalho”, afirmou a recepcionista de Cidade Satélite, Veralúcia Rodrigues de Melo. Tanto durante o arrombamento do portão na semana passada, quanto no momento em que o paciente exaltado cobrou o atendimento, a Guarda Municipal não estava presente.

Essa ausência dos guardas municipais é consequência da determinação da Polícia Federal no mês passado em desarmá-los. “O estatuto assinado em 2007 determina que o guarda de serviço esteja fardado e armado. O problema é que os guardas não têm porte legal para isso e a PF determinou que o comando recolhesse os armamentos até que fosse feito um curso de tiro”, explicou o subcomandante de segurança da Guarda Municipal, Isaac José Duarte, que chegou, ao lado de mais três guardas, ao pronto-atendimento de Cidade Satélite pouco depois da confusão com o paciente – que nesse momento já havia ido embora. “Mesmo sem poder usar armas, acredito que a presença dos guardas já ajude na segurança”, afirmou.

Segundo o subcomandante, a previsão é que os guardas municipais fiquem desarmados por, pelo menos, mais dois meses, que é o tempo que deve durar o curso de tiro, que será ministrado pela Polícia Militar. “O psicoteste está sendo processado e agora estamos discutindo com a PF a carga horária do curso. Propomos 200 horas e, eles aceitando, começamos o mais breve possível com a ajuda da PM”, garantiu o subcomandante Duarte.

Ocorrências são frequentes nas unidades

Apesar do problema se destacar na unidade de saúde de Cidade Satélite, ele não é visto apenas lá. No Serviço Pré-Hospitalar de Cidade da Esperança, na zona Oeste, a ausência dos guardas em certos horários também deixa alguns funcionários temerosos. “Qual a segurança que a gente tem em uma unidade grande como essa ficando apenas um ou, no máximo, dois guardas de serviço e eles estando desarmados?”, questionou a enfermeira-chefe, Sandra Viana.

Assim como acontece em Cidade Satélite, a unidade de Cidade da Esperança fecha as portas à meia-noite, “mas assim que chega alguém precisando de atendimento, nós abrimos as portas e atendemos”, fez questão de explicar o diretor da unidade, Eleázaro Damião de Carvalho, durante entrevista.

O problema é que não é só durante a noite que a insegurança se faz presente. “Já houve muitos furtos de celulares de funcionários, carro arrombado no estacionamento, equipamento roubado dentro da enfermaria. Sem contar com aqueles casos de pessoas que são baleadas e entram na unidade uma gangue inteira de uma vez só, deixando todos nós preocupados”, afirmou a enfermeira-chefe.

Na unidade de saúde e maternidade de Felipe Camarão, também na Zona Oeste, o mesmo regime é adotado: à meia-noite, as portas são fechadas e só são abertas em momentos de emergência. “Aqui é uma região não muito segura e preferimos tomar essa decisão. Apesar dos guardas municipais quase sempre estarem por aqui, nos dias em que eles não podem vir, preferimos fechar a porta”, afirmou a diretora da unidade de saúde, Anaiude da Silva.

Em um posto de saúde menor, localizado no bairro de Bom Pastor, o desarmamento dos guardas municipais não tem influenciado tanto na questão da segurança, até porque o trabalho de vigilância é - e sempre foi - feito por vigias contratados pela prefeitura - eles também trabalham desarmados. No Bom Pastor, a unidade também não fica aberta até à meia-noite – fecha, inclusive, às 17h. Motivo: “É uma região insegura e quando a noite se aproxima já fica ‘bem esquisito’ por aqui, sobretudo, para os funcionários que vão de ônibus”, explicou a administradora da unidade, Aldenir da Silva Fernandes.

A administradora revelou que também já foi vítima da insegurança dentro da unidade. Entraram na sala dela aproveitando um momento que a administradora estava em outro local e roubaram o celular. “Agora, fico sempre com a sala fechada”.

Escala

Com a chegada dos guardas municipais no final da manhã de ontem no posto de saúde de Cidade Satélite, o atendimento voltou a funcionar normalmente. Pelo menos, até às 13h. Depois disso, as fichas pararam de ser distribuídas. “A escala médica está incompleta e, à tarde, ninguém pode ser atendido”, explicou uma enfermeira que não quis se identificar.

Do Blog: A GMN é uma das mais atuantes do Nordeste,desejamos que logo seja concluído o curso de tiro para que os agentes possam voltar a portar seus instrumentos de trabalho.

Fonte:Tribuna do Norte

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