Prefeito de São Paulo vai mudar atuação da Guarda Civil

Abordagens serão feitas com presença de assistente social
Mario Ângelo/09.06.2008/AE  
 
Durante gestão Kassab GCM ficou focada no combate à pirataria e em tensa relação com moradores de rua.
 
Depois de passar a gestão Gilberto Kassab (PSD) focada no combate à pirataria e em uma tensa relação com moradores de rua, a GCM (Guarda Civil Metropolitana) de São Paulo vai mudar de perfil. O novo secretário da Segurança Urbana da gestão Fernando Haddad (PT), Roberto Porto, disse, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, que todas as abordagens a moradores de rua deverão ser feitas com a presença obrigatória de um assistente social.
A mudança de postura é consequência de uma avaliação feita pela gestão petista de que o histórico da atuação dos guardas é truculento. Entre as principais polêmicas relacionadas ao órgão durante a gestão Kassab está a retirada dos moradores de rua que ficavam no Largo de São Francisco, em setembro do ano passado. No mesmo mês, guardas-civis entraram em confronto com moradores da Favela do Moinho, no centro, que havia pegado fogo dias antes. Um morador chegou a ser baleado e outras seis pessoas ficaram feridas. Roberto Porto explica o novo sistema.
— A minha ideia é de que as abordagens sempre sejam acompanhadas de um assistente social. Pretendo criar um protocolo de abordagem para diminuir drasticamente esse histórico de violência.
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Além disso, o titular da pasta diz acreditar que a Guarda estava muito focada no combate ao trabalho de camelôs irregulares e a ações antipirataria durante a última gestão, algo que deverá ser modificado neste ano.
— O antigo secretário (Edsom Ortega) voltou a Guarda para operações de pirataria. Nós temos outro perfil. A Guarda, no meu entender, está um pouco distante da população e deve ocupar um lugar mais próximo.
Ele também diz que devem ser feitas mudanças na Operação Delegada, bico oficial da Polícia Militar usado atualmente para combater o comércio irregular.
Outra mudança que Porto quer efetivar é levar de volta os guardas municipais aos parques. Gradualmente, a última administração foi investindo mais em vigilantes desarmados, sob alegação de que esse tipo de mão de obra é mais barata. Hoje, os vigias são responsáveis pela segurança da maioria dos parques. O único espaço de lazer que tem uma base fixa da GCM é o parque do Ibirapuera. Mas, mesmo lá, segundo o secretário, é necessária uma mudança.
Porto promete também um aumento no número de guardas. A prefeitura deve fazer ainda neste ano um concurso público para a contratação de 2 mil guardas-civis. O ideal, segundo ele, seria dobrar os 6,3 mil membros da corporação. A curto prazo, porém, isso não é possível.
— Nos últimos seis anos, a corporação perdeu mais de 1,5 mil agentes.

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